O PRINCÍPIO DA ALTERIDADE

•26/11/2009 • 2 Comentários

Vivemos tempos de intolerância. Tempos de desamor, de rancores e de pusilanimidades. Sim, vivemos tempos de barbáries e não temos energias para reagir. Somos frágeis, fracos de ânimo e de coragem. Ante a diferença, buscamos a negação. Ante a diversidade, buscamos a solidão. Queremos os iguais, queremos espelhos. Queremos um conforto e uma segurança em muros de medo e vemos o mundo por entre frestas de pouca luz, de parca lucidez. A realidade cada vez mais diluída em constantes pesadelos é uma realidade não vivida plenamente. Uma realidade negligenciada pelo indiferentismo que nos domina. A nossa realidade vem sendo carcomida pelo medo. Estamos sós e mal acompanhados num mundo que desaba em certezas axiomáticas. Estamos sós e desamparados num mundo que se apequena em posicionamentos fundamentalistas. Estamos sós, num mundo de intolerâncias.

Uma charge provoca a horda ensandecida. Uma visão opaca contempla a ignorância e a mesquinhez. Liberdade se transverte em irresponsabilidade, em ganância, em mais tinta de sangue a pulsar o ódio em bancas de jornais. Somos diferentes e incompatíveis, assim pregam os “líderes” e “sábios” do globo terrestre. Sim, ainda somos trogloditas! Ainda somos animais irascíveis em nossa verdade única. Aqui não cabe o outro, aqui não comporta o plural. Aqui só sim e não, num diapasão uníssono. Que rufem os tambores da guerra entre civilizações, entre religiões, entre seres humanos. Todos a postos: vamos nos matar! É triste, caros leitores, mas esse é o clima do nosso tempo. Somos contemporâneos em tempos de insensatez.

Contudo, gostaria de apresentar-lhes algo que não é novo, mas parece a muito esquecido: o princípio da alteridade. Alteridade, o caráter do que é outro, a diversidade, a diferença. Sim, o antônimo de identidade. É preciso contemplar a diferença em todas as suas nuances. Para isso, busquemos entender que “quando eu nomeio, eu me nomeio” e sem o outro eu não sei quem sou, pois só sou em sociedade. E as sociedades devem ser múltiplas como a vida o é. O diferente é necessário, imprescindível, essencial. Respeitar o outro é querer respeito consigo. Somos todos uns em função do outro. Não nos cabe o preconceito, a intolerância, a estupidez, a barbárie. Somos pó, e retornaremos todos ao estado homogêneo de nossa existência quando o tempo findar. E até lá, que Deus nos abençoe e nos perdoe por tantas mortes, por tanto sangue derramado sem razão. Verdadeiramente sem razão! Absolutamente sem razão! Absurdamente sem razão! Que Deus tenha piedade de nós.

>>> Por Wellington Nery

Fonte: http://falandonalata.wordpress.com

CANÇÃO DE UM REVOLUCIONÁRIO EXAUSTO…

•19/11/2009 • 1 Comentário

Tem certos dias em que eu penso em minha gente e sinto assim todo o meu peito se apertar, porque parece que acontece de repente, como um desejo de eu viver sem me notar. Igual a como quando eu passo no subúrbio, eu muito bem, vindo de trem de algum lugar. E aí me dá como uma inveja dessa gente, que vai em frente sem nem ter com quem contar. São casas simples com cadeiras na calçada e na fachada escrito em cima que é um lar. Pela varanda flores tristes e baldias, como a alegria que não tem onde encostar. E aí me dá uma tristeza no meu peito, feito um despeito de eu não ter como lutar. E eu que não creio peço a Deus por minha gente. É gente humilde, que vontade de chorar!

(evoco chico buarque, para que o mesmo traduza minhas angústias).

BREVE INTERVALO EM MEIO AO CAOS

•17/11/2009 • 1 Comentário

Curioso observar a dinâmica de um ônibus quase que esvaziado, seguindo viagem estrada à frente. Os poucos passageiros inclinados em direção a recortada vista… delimitada pelas janelas e suas cortinas. Cortinas estas que se contorcem de forma agonizante diante do vento lateral, como se fossem velas de um barco a deriva. E o som do vento assume o papel de pano de fundo de uma viagem ensurdecedoramente silenciosa. Pergunto-me o que as pessoas buscam ao olhar fixamente pelas janelas, o que procuram? Olhares distantes, ausentes, porém não vazios… repletos de questionamentos conscientes ou não, sobre o curso temporal de suas vidas ou da vida de outros, sobre atitudes e comportamentos presentes, passados e porque não dizer futuros. Será que questionam eventos contemporâneos ou extemporâneos a si mesmos? Curioso como uma simples viagem de ônibus nos remete a questões existenciais. Como se fossem pausas necessárias para repensarmos quem somos e para onde vamos, diante de um cotidiano extremamente conturbado. Enquanto tudo isto acontece, cá estou eu descrevendo e interpretando um fenômeno social, no entanto, sem deixar de cair no existencialismo de minha própria vida. Mas a viagem segue, porque tem que seguir, e com ela as pessoas e os pensamentos também seguem.

(Crônica criada em outubro de 2009 em uma de minhas viagens de volta pra casa… )

>>> Por Carlos Lira.


DEITE A CABEÇA NO TRAVESSEIRO E DURMA TRANQUILO, AFINAL VOCÊ FAZ A SUA PARTE!

•03/09/2009 • 1 Comentário

1) Se você doa uma parte de seu suado salário ao criança esperança, amigos da escola, teleton e afins, tudo pelo sorriso de uma criança…

Muita atenção! Por acaso, alguma vez você já parou pra pensar que papel social assume estes projetos sociais? Qual é o real significado de sua existência na sociedade contemporânea? Sei que o que é disseminado na mídia são os clichês de solidariedade, inclusão social e de um mundo melhor. No entanto, precisamos ir além das imagens e mensagens do tubo mágico, a TV. Nas últimas décadas vemos uma tendência avassaladora acerca da preocupação com “a questão social”. Antes os marginalizados e vulneráveis sociais não tinham dono, nem pátria. Hoje não só o Brasil é dito como o país da “inclusão social”, como também soube a quem encarregar essa tafera “nobre” e “despretenciosa” de amor ao próximo. Estou falando das ONG’s e das Instituições Filantrópicas (ou Pilantrópicas) sem fins lucrativos (?). Estas instituições se reunem na noção de Terceiro Setor e causam uma desproteção social violenta ao povo brasileiro. Mas como assim causam desproteção social se são elas que assumem a função de promover uma assistência social que  geralmente o Estado não assume? Apesar dessa indagação ser uma contradição, mesmo assim não é uma incoerência! Constitucionalmente conquistamos direitos sociais como fruto de lutas históricas do povo brasileiro, porém esses direitos vem sendo cada vez mais violados, como meta de uma política internacional denominada neoliberalismo, e que no Brasil, a cada dia ganha mais força. A partir do momento que perdemos direitos, perdemos também saúde, educação, trabalho, segurança, habitação, cultura e dignidade. Sem estes pré-requisitos básicos para a sobrevivência do ser humano, caímos na vulnerabilidade e descaso social. A oferta de assistência social é dever e responsabilidade do Estado, é pra isso que continuamos a pagar impostos,  porém os direitos continuam sendo retirados. Então só nos resta recorrermos a estas instituições mascaradas de altruístas e mendigarmos auxílio e suporte social. Quando um governo autoriza a abertura de ONGs e Filantrópicas, imediatamente se desresponsabiliza pela saúde, educação e  suporte social. Geramos por ano trilhões em impostos, se o governo não faz, não é porque está falido, é porque além de não ser prioridade, já tem quem faça por eles. Em suma, além dos impostos que você é obrigado a pagar, agora a mídia diz que você tem um compromisso social em doar parte de seu salário pra essas ONGs, para que amanhã tenhamos um mundo melhor. E será você o primeiro a se negar a ajudar esse mundo melhor? Não, não pode! Vai deixar de ser “amigo” da criança? Vai deixar uma criança sem “esperança”? Nossa, como você é mau! Pessoal, é justamente isso que eles querem que a gente pense, que se não ajudarmos seremos maus, querem que nos sintamos culpados pelo caos no mundo, jogando toda a responsabilidade nas nossas costas! É a partir desse sentimento de culpa que a sociedade passa a se organizar substituindo o papel do Estado enquanto provedor de serviços sociais, e se organiza formando o Terceiro Setor. Suas doações ajudam pontualmente essas pessoas que vivem em situação de risco. Mas o que vai acontecer com elas quando você cansar ou não tiver mais como doar? Quem vai assistí-las a partir daí? Doar tapa buraco, mas não resolve o problema! Doamos porque é a forma que encontramos de compensar nossa omissão, nossa alienação, nossa preguiça de lutar para que os direitos sejam exercidos e que nossos impostos se tornem políticas sociais permanentes. Doar é dar esmola, reivindicar um mundo mais justo é dar casa, comida e trabalho. Quando doamos compramos o direito de ser mudo, cego e surdo!!

>>> Por Carlos Lira

2) Se você trata os idosos e portadores de necessidades especiais como se fossem eternas crianças que precisam do seu carinho e atenção…

Repense seus atos! A infantilização do idoso e de pessoas com necessidades especiais, além de ser uma postura descontextualizada, gera nestes sujeitos sentimentos de incapacidade e dependência, ferindo assim sua auto-estima e autonomia. Outro comportamento errôneo é julgá-los sempre como doentes, que precisam de cuidados permanentes e em excesso. Chamo isto de patologização, e no caso dos idosos, de gerontologização desses sujeitos. Todo indivíduo tem uma história produtiva, seja na esfera profissional, afetiva ou social, portanto não é correto estereotipá-los baseado apenas em um recorte de suas vidas, muito menos resumí-los a uma doença. Tratar idosos e pessoas com necessidades especiais como crianças, usando diminutivos mascarados de carinho e atenção, não só é um desrespeito a estas pessoas, como também reforça a reprodução de uma lógica que durante anos os estigmatiza como incapacitados. É preciso encontrar um meio termo na forma como tratamos estas pessoas. Não podemos ser preconceituosos e excludentes, rotulando-os de improdutivos e descartáveis, mas também não podemos ser caricaturados travestidos de humanizados. Portanto, pense bem antes de agir dessa forma. Reflita se seu comportamento não visa mais massagear seu ego, tornando pública a (falsa) imagem de uma pessoa bondosa, do que na verdade respeitar essas minorias.

>>> Por Carlos Lira

QUE VOZ É ESSA?!!!

•02/09/2009 • Deixe um comentário

Encontrei este vídeo  por acaso no youtube. Não esperava simplesmente nada do vídeo, afinal é apenas um vídeo caseiro, amador… o que eu podia esperar dele? Eis que surge uma voz linda, leve, suave… extremamente  original e natural cantando Djavan. Um som estupidamente gostoso de se ouvir, que passa uma energia boa! A dona dessa voz é uma cantora anônima, habitante da cidade de Ilhéus na Bahia,  chama-se Luana Carla e quem a acompanha no violão é Jessica Paula. Quando escutamos uma qualidade musical deste nível, não tem como não se indignar com a banalização do submundo da música nas rádios e TV’s do Brasil. É revoltante pensar por exemplo que Latino faz sucesso, enquanto uma pessoa como esta continua desconhecida, no anonimato, sem oportunidades para expor adequadamente seu trabalho. É a velha inversão de valores culturais.  Sinceramente, não sei onde vamos parar!

P.S: Quem curtiu o som, favor divulgar, afinal nós merecemos ouvir coisas boas!

>>> Por Carlos Lira.


TRANSMISSÃO DE PALESTRAS AO VIVO

•02/09/2009 • Deixe um comentário

O CPFL Cultura é um amplo programa cultural que promove reflexões sobre os desafios e oportunidades da contemporaneidade. Um espaço de reflexão sobre o mundo, o tempo, a ciência, o homem, a mulher, a política e todos os aspectos da vida contemporânea.  A programação começou com o Café Filosófico CPFL, ponto de encontro dos mais renomados intelectuais com os mais diversos públicos, onde se organizam teorias e onde informações são transformadas em conhecimento. A partir da filosofia e da psicanálise, conceitos elaborados por personalidades como Freud, Jung, Lacan, Winnicott, Sócrates, Platão, Descartes, Schopenhauer, Nietzsche, Spinoza, Deleuze e outros são trazidos para o nosso tempo por especialistas como Maria Rita Kehl, Carlos Byington, Flávio Gikovate, Jorge Forbes, Renato Janine Ribeiro e Oswaldo Giacóia. Todos buscam iluminar o caos contemporâneo e trazer material para pensar nossos afetos e conflitos. Hoje a CPFL Cultura não é apenas um espaço, mas sim um conceito, que comemora cinco anos de encontros, tendo realizado em 2008 debates, saraus, exposições, cinema e performances teatrais para mais de 400 mil freqüentadores.

P.S: para assistir as palestras do CPFL Cultura, basta clicar no link abaixo e em seguida clicar em “ao vivo”.

Fonte: http://www.cpflcultura.com.br/

cpfl cultura

IV BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE ALAGOAS

•02/09/2009 • Deixe um comentário

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Será realizada no período de 30 de outubro a 8 de novembro de 2009 a IV Bienal Internacional do Livro de Alagoas. A Bienal é uma realização da Universidade Federal de Alagoas, através da EDUFAL – Editora da Universidade Federal de Alagoas, com o apoio da ABEU (Associação Brasileira dos Editores Universitários), da CBL (Câmara Brasileira do Livro), do Governo do Estado de Alagoas e demais parceiros de instituições públicas e privadas. O patrono dessa edição é o alagoano prof. Dr. JOSÉ MARQUES DE MELO. O evento será localizado, no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, em Jaraguá, com facilidade de acesso de estacionamento, dotado de segurança pública e particular, em uma área total de 5.537m², divididos em 4.727m² de área de Exposição que terá 130 estandes e 405m² de Foyer e Recepção. Conta também com 05 salas para oficinas literárias e de criação, uma sala com 180 lugares para palestras, debates, mesas redondas, um café literário para bate-papo com autores nacionais e locais, um auditório para 500 lugares, além da praça de autógrafos, onde autores ficarão autografando e interagindo com o público visitante.

Fonte: http://www.edufal.com.br/bienal2009

 
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