1) Se você doa uma parte de seu suado salário ao criança esperança, amigos da escola, teleton e afins, tudo pelo sorriso de uma criança…
Muita atenção! Por acaso, alguma vez você já parou pra pensar que papel social assume estes projetos sociais? Qual é o real significado de sua existência na sociedade contemporânea? Sei que o que é disseminado na mídia são os clichês de solidariedade, inclusão social e de um mundo melhor. No entanto, precisamos ir além das imagens e mensagens do tubo mágico, a TV. Nas últimas décadas vemos uma tendência avassaladora acerca da preocupação com “a questão social”. Antes os marginalizados e vulneráveis sociais não tinham dono, nem pátria. Hoje não só o Brasil é dito como o país da “inclusão social”, como também soube a quem encarregar essa tafera “nobre” e “despretenciosa” de amor ao próximo. Estou falando das ONG’s e das Instituições Filantrópicas (ou Pilantrópicas) sem fins lucrativos (?). Estas instituições se reunem na noção de Terceiro Setor e causam uma desproteção social violenta ao povo brasileiro. Mas como assim causam desproteção social se são elas que assumem a função de promover uma assistência social que geralmente o Estado não assume? Apesar dessa indagação ser uma contradição, mesmo assim não é uma incoerência! Constitucionalmente conquistamos direitos sociais como fruto de lutas históricas do povo brasileiro, porém esses direitos vem sendo cada vez mais violados, como meta de uma política internacional denominada neoliberalismo, e que no Brasil, a cada dia ganha mais força. A partir do momento que perdemos direitos, perdemos também saúde, educação, trabalho, segurança, habitação, cultura e dignidade. Sem estes pré-requisitos básicos para a sobrevivência do ser humano, caímos na vulnerabilidade e descaso social. A oferta de assistência social é dever e responsabilidade do Estado, é pra isso que continuamos a pagar impostos, porém os direitos continuam sendo retirados. Então só nos resta recorrermos a estas instituições mascaradas de altruístas e mendigarmos auxílio e suporte social. Quando um governo autoriza a abertura de ONGs e Filantrópicas, imediatamente se desresponsabiliza pela saúde, educação e suporte social. Geramos por ano trilhões em impostos, se o governo não faz, não é porque está falido, é porque além de não ser prioridade, já tem quem faça por eles. Em suma, além dos impostos que você é obrigado a pagar, agora a mídia diz que você tem um compromisso social em doar parte de seu salário pra essas ONGs, para que amanhã tenhamos um mundo melhor. E será você o primeiro a se negar a ajudar esse mundo melhor? Não, não pode! Vai deixar de ser “amigo” da criança? Vai deixar uma criança sem “esperança”? Nossa, como você é mau! Pessoal, é justamente isso que eles querem que a gente pense, que se não ajudarmos seremos maus, querem que nos sintamos culpados pelo caos no mundo, jogando toda a responsabilidade nas nossas costas! É a partir desse sentimento de culpa que a sociedade passa a se organizar substituindo o papel do Estado enquanto provedor de serviços sociais, e se organiza formando o Terceiro Setor. Suas doações ajudam pontualmente essas pessoas que vivem em situação de risco. Mas o que vai acontecer com elas quando você cansar ou não tiver mais como doar? Quem vai assistí-las a partir daí? Doar tapa buraco, mas não resolve o problema! Doamos porque é a forma que encontramos de compensar nossa omissão, nossa alienação, nossa preguiça de lutar para que os direitos sejam exercidos e que nossos impostos se tornem políticas sociais permanentes. Doar é dar esmola, reivindicar um mundo mais justo é dar casa, comida e trabalho. Quando doamos compramos o direito de ser mudo, cego e surdo!!
>>> Por Carlos Lira
2) Se você trata os idosos e portadores de necessidades especiais como se fossem eternas crianças que precisam do seu carinho e atenção…
Repense seus atos! A infantilização do idoso e de pessoas com necessidades especiais, além de ser uma postura descontextualizada, gera nestes sujeitos sentimentos de incapacidade e dependência, ferindo assim sua auto-estima e autonomia. Outro comportamento errôneo é julgá-los sempre como doentes, que precisam de cuidados permanentes e em excesso. Chamo isto de patologização, e no caso dos idosos, de gerontologização desses sujeitos. Todo indivíduo tem uma história produtiva, seja na esfera profissional, afetiva ou social, portanto não é correto estereotipá-los baseado apenas em um recorte de suas vidas, muito menos resumí-los a uma doença. Tratar idosos e pessoas com necessidades especiais como crianças, usando diminutivos mascarados de carinho e atenção, não só é um desrespeito a estas pessoas, como também reforça a reprodução de uma lógica que durante anos os estigmatiza como incapacitados. É preciso encontrar um meio termo na forma como tratamos estas pessoas. Não podemos ser preconceituosos e excludentes, rotulando-os de improdutivos e descartáveis, mas também não podemos ser caricaturados travestidos de humanizados. Portanto, pense bem antes de agir dessa forma. Reflita se seu comportamento não visa mais massagear seu ego, tornando pública a (falsa) imagem de uma pessoa bondosa, do que na verdade respeitar essas minorias.
>>> Por Carlos Lira
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